As dificuldades enfrentadas no esporte refletem os nossos traços
culturais como sociedade. No esporte fica clara a nossa falta de
capacidade de pensar e agir coletivamente, realizar planejamentos de
longo prazo, avaliar impacto e entender a função social do que fazemos.
Muitos de nós não compreendemos que nossa atuação profissional tem uma
função social primordial e não se resume apenas em trabalhar para
receber um salário. Se existem professores é porque precisamos de alguém
para ajudar os alunos a entenderem o que realmente é fundamental na sua
formação. Assim como os médicos que entendem o funcionamento do corpo e
como estabilizá-lo quando algo o desequilibra. No esporte, a sua função
social não é compreendida com tamanha clareza.
Por que queremos sediar os maiores eventos esportivos do mundo? Qual a
razão em investir milhões de reais em patrocínios? Para que transmitir
horas de competições e programas esportivos? Por que produzir tantos
conteúdos sobre atividades esportivas? Será que tudo se resume só aos
aspectos financeiros?
Então, por que ficar triste quando a seleção é eliminada na Copa do
Mundo? Ou quando o Brasil está em 25º lugar no quadro de medalhas? Ou se
seu time não está no G4?
É porque precisamos de inspiração para superar nossas barreiras
diárias, necessitamos de ídolos que nos representem como nação, como
time. Precisamos nos motivar a ter uma vida mais saudável e experimentar
situações nos jogos e brincadeiras que nos permitirão assimilar valores
fundamentais, que somente o esporte nos transmite. Esta é a função
social do esporte, que muitas vezes passa despercebida.
Maurício Pinto, 42, é professor, Diretor de Desenvolvimento Econômico
Estratégico no Instituto Pereira Passos e coordenador de projetos do
Pacto do Rio.
Twitter @ProfMauriciorj.
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